segunda-feira, 30 de abril de 2012

Poética de uma desletrada


E quanto mais eu escrevo
Mais percebo o quanto sou desletrada...
Me faltam expressões pomposas, repito vocábulos, sou óbvia, uso clichês...
... mas não é a vida um clichê dos mais piegas?

Uma escritora sem palavras,
que só derrama sentimentos...
Faz de sua vida a mensagem.

O papel é o chão batido sob meus passos...
Terrenos acidentados, vales, corredeiras, pontes aéreas que passam
enquanto a história vai sendo escrita no coração dos meus amigos, dos meus amores, meus companheiros de jornada.

A caneta é o tempo
crivando suas marcas deselegantes
escrevendo na pele a minha história....
Outro conto mal contado:
Cada ruga uma sonora risada, uma lágrima não chorada ou simplesmente uma tostada.

Me faltam recursos
Me abundam percursos
Personagem patético, nada poético
Cheia de falhas, fendas, incongruências

Se fosse um filme, seria considerado irreal
Como tudo o que é real de fato.

Preciso de um dicionário ao lado
Se quiser impressionar os homens de letras
Mas posso ser o pai dos burros para quem não procura palavras...
... e sim experiências.

Eu acho que escrevo...
... mas estou sendo escrita.
E o autor deve rir pacas!

Que a história termine
em uma página em branco.
Esse é o final feliz a mim destinado.

3 comentários:

Melina Savi disse...

curti!

Mariana Ostermann disse...

Paginas em branco podem ser desenhadas, comunicando com verdade sem o tropeço das palavras. E tu es um caderno sem linhas, onde as canetas nao se comprometem com a metrica, mas com a arte do viver! (Estou sem acentuaçao! Perdao!)

Alana de Abreu Trauczynski disse...

Minhas lindas! Tamo junto!