quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Quartinho na Zona... Sul!

Para uma pessoa como eu, que achava que elevadores de grade e edifícios sem garagem só existiam na Europa, procurar quarto pra alugar na zona sul do Rio é o que há de mais surpreendente e imprevisível. E cômico, muito cômico. Começando pelos anúncios. Mesmo pessoas sem dislexia conseguem escrever anúncios bizarros e os apês são unanimamente 'ambientes tranquilos e familiares', onde não se aceita pessoas 'com vícios'. Apesar de eu saber que tranquilidade para mim significa algo diferente do que o anúncio tentou expressar, eu visito todos os cafofos.

Novamente, para alguém criada em SC como eu, achei que casa sem máquina de lavar fosse coisa de americano. Haha. É só contar a quantidade de lavanderias pelas ruas daqui e tentar calcular quantas pessoas vivem sem nem um varalzinho.

Outro conceito meu equivocado era sobre o significado da palavra QUARTO. Para os cariocas, quarto é qualquer lugar que caiba uma cama e que possa ser isolado por qualquer divisória ou apenas uma cortina. Pode ser um pedaço da cozinha, a lavanderia, ou até transformar um quarto em 2, pendurando uns panos no meio do cômodo.

Agora, uma coisa aqui é um luxo, todo prédio tem porteiro, todos nordestinos. Muito mais simpáticos que os cariocas. São eles que me fazem sentir em casa, dizem bom dia, dão risada quando chego de madrugada com os sapatos na mão ou que carregam minhas mil sacolas da feira até o elevador. Nesse quesito, ponto pro Rio!

A vista e o gás são outros detalhes peculiares nesses prédios centenários... Acender o gás um com fósforo  dentro no próprio banheiro e rezar para este não explodir ou não queimar todo oxigênio do ambiente é sempre "adrenalizante", ótimo para ajudar a acordar no banho matinal! Sobre a vista, eu imagino que cheguei uns 50 anos atrasada e perdi a possível linda vista panorâmica sem o outro prédio colado na janela ou a favela funkeira que colore os arredores gerais por aqui.

Mas calllma, há apartamentos menos velhos, com elevador de porta metalica e tudo. Os famosos quarto-sala ou conjugados. Conjugam o quê, afinal? Devem conjugar o verbo apertar-se. "Eu me aperto, tu te apertas, ele se aperta"... sei lá. Mas a distância cama-fogão raramente atinge os 2 metros. Interessante para aperfeiçoar manobras de contorcionismo e organização (nem pense em dormir sem lavar a louça, ou pode acordar com moscas na sua cara).

Agora, meu amigo catarinense que está lendo isso, deve estar chutando o preço dos palacetes citados acima: 250 reais, 300 reais... aham...1 quartinho só né, sem máquina de lavar, nem elevador? Estourando 300 pilas né...HA HA HA...

Dormir abraçada no tanque na  disputada zona sul carioca custa o que seu papai paga pelo seu apezão na Lagoa da Conceição, meu amigo, ou sua casinha de veraneio no Rosa...

Quase rola uma revolta comigo mesma nessa busca. Mas, entre trancos e barrancos, sempre se acha um lar legal e habitável.  Quando sinto saudade do 'estilo de morar catarinense', saio de casa, dou um tchau pro porteiro e vou pedalar pela orla ou correr sob os olhos do Redentor, e tudo me parece justo... Justíssimo!

4 comentários:

Alana de Abreu Trauczynski disse...

huahuahuahhaua... Mari, que engraçado! Seria cômico, se não fosse trágico! Tragicômico acho que é a palavra! rsrsrs. Morri de rir.

Rubens Floripa disse...

Muito bom o texto! E seu amiga? Deu até dó...rs! Mas tudo vale pra pegar um por-do-sol no Leblom, ou como vc disse uma caminhada numa das tantas orlas do Rio! Sucesso e não esqueça de lavar a louça do jantar! rs

Luciara disse...

hahaha adorei o texto!! Além de naturóloga também pode ser escritora!! Boa sorte na procura pelo quarto!! Bjuss

Mariana Ostermann disse...

Ai gente eu juro que me divirto...