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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ter ou não ter (filhos)... Eis a questão!

Aos 33 anos, esta é uma questão que me tormenta. Quem me conhece sabe que eu não sou aquele tipo de pessoa com um instinto maternal visceral. Não sonhei minha vida inteira com uma mesa repleta de filhos cantando "Oh happy day!" como nestas propagandas de cereal. Na verdade, tenho bastante dificuldade em me imaginar "mãe de alguém". Tem gente que diz que a gente escolhe os pais que tem... e quem seria doido o bastante para ser meu filho?
Eu gosto das crianças. Admiro sua leveza, sua pureza. Tenho cada vez mais tentado me comunicar com elas, mas não tenho aquela facilidade toda em criar uma conexão verdadeira. Talvez me falte "presença" (que é o que elas mais demandam!) ou ainda esteja muito atribulada com minha própria vida para poder me doar aos outros. O bom mesmo das crianças é aquela mãe ao lado, para você entregar quando "der problema". Será que eu quero ser essa "mãe ao lado"?

Já me falaram que eu sou é egoista, só penso em mim, e que para ter filhos a gente tem que se dar muito. Mas, gente, não é egoísmo botar um cara nesse mundo doido porque EU quero ter a experiência de como é ser mãe? Come on!! Já tem gente demais no mundo, tá cada vez mais fooooooooda viver aqui. Pô, quem sou eu para trazer mais um para "aprender" comigo ou me "ensinar"?? Eu acho que isso é andar na contramão da sustentabilidade.

Sei lá, eu tenho a impressão que nem dou conta da minha própria vida, sem ter ninguém com quem me preocupar. Imagina alguém DEPENDENDO de mim? Me dá um ruim só de pensar. E se eu quiser amanhã arrumar as minhas coisas e me mudar para o Laos? Não poderei mais pensar assim.

Por outro lado, um monte de pais dizem que ter filho é a melhor coisa do mundo... então fico achando que posso estar perdendo uma boa experiência. Não sou rígida pelo não, só não tenho aquela vontade latente. Também vejo o quanto os filhos são ingratos. Aquela trabalheira de uma vida inteira para eles chegarem na adolescência e dizerem: - "Cara, a minha mãe é um saaaaaaaco!" ou mesmo como adultos: "Agora tenho a minha família, vocês precisam respeitar a minha individualidade". Pô, uma mãe escutar isso deve ser uma facada!

Minha vida segue e minha dúvida cresce. Qualquer coisa adoto sem problema nenhum uma penca de crianças, daquelas que são muito felizes só por ter um prato de comida na frente...