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domingo, 2 de junho de 2013

Não recomendo a verdade

A não ser para os que têm peito de remador, como dizia o Vinícius de Morais.

Ninguém gosta dela: é rejeitada, disfarçada, desmentida e contida em todos os níveis. Todo mundo quer é o igual, um "mini-me", como diz alguém que eu conheço. Concordar, fazer de conta são considerados diplomacia. Não se consegue aceitar, muito menos amar, o diferente.

Só tem um jeito de falar a verdade, sem que ela pareça o que é: pela metáfora. Mas com amigos íntimos é chato ficar falando dessa maneira. Ser amigo, afinal, é isso, não? Poder ser quem se é, porque quanto mais se é, mais amado também. Eu conheço isso, vivi e vivo isso. Com poucos, verdade, muito poucos!

Conheci um novo tipo de amizade, a amizade faísca. Brilha, incendeia e tem pouca duração. Parece amizade de infância, tamanha aceitação e intimidade. A vida fica mais rica, mais alegre, há muito que se contar uns aos outros. Tudo acrescenta, entusiasma, anima e o desejo é viver muito perto, contar com essa amizade como se conta com a própria vida.

Até que...algo se rompe: uma palavra mal dita, um momento desastrado ou uma diferença. Não somos iguais, é a constatação. Acabou!!! Dalí prá frente só ladeira abaixo. Os olhos não se encontram mais, a onda não se sente mais, evita-se o encontro e, quando ele acontece, que tristeza, só se constata o que já se sabe.

"Foi um rio que passou em minha vida e o meu coração se deixou levar..."
Deixa cicatrizes.

Até que vem outra...

Mas eu sou teimosa ou coerente demais para não ser quem sou e manter o que não é, para fazer de conta que existe algo que nunca houve.
Coisas pela metade...não quero!!

"Amigos", shame on you!!!


domingo, 7 de abril de 2013

Viver em liberdade

Cada vez mais me certifico de que tenho que fazer tudo que quero, de acordo com o que sinto e intuo, completamente livre de qualquer autoridade externa ou leis auto-impostas.
Cada vez mais ser humano e revelar a beleza e importância da consciência, única coisa que nos diferencia de outros seres desse universo.

Livre por saber que existe tudo dentro de mim. Conheço o mundo por mim mesma, se tiver suficiente sinceridade de me desvelar. O meu estado interno é a única bússola real, o parâmetro que indica o caminho.
Ser para me sentir bem, em fluxo, não empacada por medos e condicionamentos que me fazem sentir menos do que sou. Alvo de manipulações de qualquer espécie: religiosas, filosóficas, mentais... bem ou mal intencionadas. Nada substitui a experiência particular que temos ao viver, ao sentir. Sabemos tudo que quisermos saber acerca do mundo e das pessoas, inclusive da nossa vida e futuro. Serei o que estou plantando agora. Tenho que ser responsável por isso e não acusar quem quer que seja pelas sementes que germinam depois de plantadas.

Como é bom ser bom!!! Já dizia meu amigo! Não pelo outro, nem pela virtude, mas pela liberdade interna,  não sendo prisioneira de estados mentais que me diminuem e me colocam em falta, com o outro, com a vida, com a alegria de viver sem culpa.




sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Saber a palavra ouro não te deixa rico

Tenho visto muitas pessoas pensarem que porque elas conhecem o nome das coisas elas têm experiencia do que significam.
É um dos perigos da leitura. Quando se entende os conceitos ou idéias, nos apossamos delas como se fossem nossas experiências. Mas não! Apenas conhecemos intelectualmente mas continuamos a viver com as mesmas velhas crenças e padrões de comportamento adquirido. Falo em perigo porque nos leva ao auto-engano. Pensamos que somos o que lemos mas agimos com a imaturidade emocional dos 7 anos.

Crescer é preciso. Liberar-se é necessário, principalmente do nosso esperto ego, que se apossa de tudo como um bom charlatão, que fala do que não sabe.

Essa nova geração, com informação rápida, lendo orelhas de livros, vendo sinopses na internet, ou apenas vendo os livros sublinhados pelos mais velhos corre muito esse risco.
Conhece tudo, responde com lindas palavras à tudo. Mas não sabe nada a não ser mexer em computadores e celulares. A geração da adrenalina, das viagens ao exterior, do mundo que ficou pequeno. E que os fazem crer que "está tudo dominado".


Quanto terão que passar até aprenderem a sentar em suas almofadas e treinar meditação. Parar de pensar que são, para ser de verdade. Amorosos, generosos, pacientes, compreensivos, empáticos com os outros. Porque isso é o desenvolvimento de um ser humano. Não a arrogância das palavras mas as ações altruistas,   a compreensão profunda do sentimento alheio, a compaixão como estado de delícia!
Como dizia um amigo meu: "Como é bom ser bom!"

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Uma maravilha na rua e uma merda dentro de casa


Vocês conhecem aquele tipo de pessoa, bem comum, por sinal, que é considerado simpaticíssimo por todos. Gentil, sorridente, sempre com um bom incentivo para quem precisa, uma idéia brilhante para quem não vê saída em uma situação, consideração pelo estado do outro...uma verdadeira maravilha! Atende o telefone e dá gargalhadas com a pessoa no outro lado da linha. Tudo de bom!

O paradoxo é que em casa, mal e mal fala, apenas resmunga. Não acha nada engraçado, até porque nem ouve o que se diz. Desliga o telefone e o sorriso se vai para sempre. Prisioneiro de si mesmo, não olha para fora, não vê o outro ou o que se passa ao seu redor. Não participa de nada no seu ambiente mais próximo.
Quer dizer, na maior parte do tempo vive mal. Só se diverte com estranhos e passa a imagem de contente, boa onda.

Perde a oportunidade de ser feliz por não abrir seu coração, fica escondidinho no seu cantinho vazio, só em sonhos ou imaginação vivendo legal.

Pode-se perguntar: por que fica nessa casa se aí não é feliz?! Mas não importa em que casa esteja, esse é um padrão interno. Sem platéia as luzes se apagam e não interessa mais manter a máscara de quem sabe viver.
Não que não seja feliz, até é. Mas não compartilha, não distribui para quem está alí no dia-a-dia, não oferece nada em troca do que recebe.

Estou definindo um tipo. Caseiro mal humorado, maravilha na rua. Vive bem consigo mesmo, só não entrega, principalmente para quem é íntimo e não precisa mais ser conquistado.
Quem não conhece um sujeito assim???




Quem serve o sapato, se veste!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Mil vezes...

Como eu falo e repito esse tema. Porque me deixa muito indignada: a caretice!

Parece uma coisa bobinha, sem muita importância, mas não é. Essa é a mentalidade que plantamos para os nossos filhos, a nossa sociedade, enfim...o nosso planeta.
A moralzinha babaca que quer tudo embaixo dos panos. Não mostrar como as coisas são de verdade, deixar tudo cor-de-rosa para esconder a realidade da vida. Que é muito mais palpitante, espontânea, sem certos nem errados, apenas os humanos vivendo como podem, tentando realizar-se, ser feliz.

Não devemos nunca falar verdades inconvenientes, nem revelar o quanto gostamos de alguém. Gargalhada, nem pensar, é coisa de "gentinha." Amar? Pouquinho, comer pouquinho,beber pouquinho, respirar menos ainda. Assumir posições? O muro é bem melhor, mesmo que estreito como a mente dos que alí vivem.

Agora vou para argumentos mais "científicos", aí todo mundo respeita. Mente estreita, sem flexibilidade é coisa de cérebro sem muitas conexões neuronais. Não se formam novas sinapses quando o pensamento não muda, anda sempre pelo mesmo sulco. Mente aberta é coisa de gente inteligente, que ocupa mais das suas capacidades, que olha sem preconceito para tudo, pensa livre, questiona, é atuante no mundo e não apenas mais um do rebanho.

Preço? Tem! Viver com sabor, ser único e não imitador, amar-se sem precisar da aceitação dos outros. Para poucos, né? Só para quem segura as pontas de ser quem é e tem atitude. Faz moda, reforma, transforma o mundo, é gente que importa, necessária cada vez mais nesses tempos de medo.
 "Quero ser como todo mundo!"
Not me, honney! Vim para mostrar alguma coisa e vou fazer até o fim dos meus dias, quer gostem ou não. Essa sou eu!


Enjoada de tanta superficialidade, tanta distância do essencial para manter esse mundo bitolado por mentes estreitas mas cheias de si porque são maioria. E...como diz Alana, toda unanimidade é burra.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

O destino

Eu acredito no destino!

Acho que o nosso ser essencial, alma, ou como cada um quiser chamar, está conectado com o Todo, em plena unidade. Sendo assim, está no fluxo perfeito da existência, em todos os níveis.

Baixando algumas oitavas e colocando de maneira prática, "sabemos" o que necessitamos para o nosso desenvolvimento como seres espirituais. Coloquei o sabemos entre aspas, porque não é uma compreensão mental e sim uma percepção mais sutil, que podemos acessar no silêncio de uma meditação, na oração ou simplesmente num estado de de conexão com a natureza.

Por isso, esse papo de eu quero, eu posso, eu faço, para mim não tem o menor sentido. Se algo estiver na linha do meu destino, lá chegarei. Senão, mesmo que lute desesperadamente, nada conseguirei.


Aposto que todos os leitores já estão pensando em livre arbítreo. É claro que esse fator existe. Senão a liberdade seria apenas uma palavra vã. Temos sempre a liberdade de nadar no fluxo da nossa natureza ou nos encaminharmos por outros rumos.
Um é o caminho fácil, sem luta, onde as portas vão se abrindo e a gente vai fazendo o movimento de entrar. Ou se fechando e nós aceitando até que algo novo apareça. É o caminho da confiança!

Deixar-se levar ou lutar para obtermos o que nossos egos querem, nossa ignorância deseja. A outra possibilidade é deixarmos tudo nas mãos do ser interno e sermos por ele guiados.

Que fique bem claro que nossa atitude é necessária. Temos que fazer a nossa parte. O resultado entregamos ao destino. Sempre o melhor para cada um é o que vai acontecer, embora nem sempre acreditemos nisso em alguns momentos do percurso.

As pessoas não ficam ricas ou famosas porque trabalharam mais que as outras, embora nossa cultura nos conte essa historinha de esforço para servir ao sistema. As coisas acontecem por porque têm que acontecer com cada um o que esse ser precisa para poder evoluir. Podemos sempre estar alinhados com isso ou lutando contra. É nossa a escolha...





quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Só vê a verdade quem ama.

Só quem ama conhece de verdade alguém.

Parece frase de efeito mas é a mais pura realidade. Se não amas, não acessas a intimidade essencial do outro e aí o único que conheces é a mente. Como olhar para alguém e só ver a roupa. Desfile de moda, pessoas como cabides para as roupas. Elas mesmas, quem são? O que estão sentindo, vivendo? Interessa à alguém?

Assim como quando julgamos alguém sem estarmos conectados com o nosso coração. E com o coração dele. "Heart to heart". Senão é tudo feio, cheio de imperfeições, defeitos, humanidades.

Quando os olhos do amor estão abertos, sabemos o que move o outro, entendemos suas motivações, nos vimos muito semelhantes. Aí podemos ser amigos de verdade e acolher o que sofre, ajudando com nossa aceitação a que o outro também se veja e se perdoe.

Mais sábio ainda que isso é esconder do outro os seus próprios defeitos. Por que, não se engane não, quem mais sofre com eles é quem os tem. Ou seja, todos nós, cada um com os seus.

Por isso as histórias são perfeitas. Alertas o outro do que estás vendo, mas deixa-lhes a dignidade de não colocá-los nus, expostos sem defesa.
Às vezes a verdade pode ser uma arma que esconde a falta de amor e está justificada pela mente como bondade.


Ir aos Himalayas para rodear uma questão e assim dizer algo útil sem enfiar a faca na ferida é um aprendizado. Difícil para os diretos mas simples para os que amam.

Só os jovens são felizes!

Essa afirmação não parece muito a minha cara. Mas é uma constatação com a qual convivo em plena compreensão.

Quando se é jovem os sonhos são possibilidades latentes. Para mim, que já passou dos sessenta, eles já não  estimulam mais. O que a realidade me apresenta, eu pego. Corro atrás do que quero. Mas as ilusões caíram todas. Nem reclamo, porque se eram ilusões, o próprio nome diz, não eram reais e melhor que caiam. Isso não significa que é fácil, que não dói... esvazia...

Como diz o rabino Nilton Bonder, o pessimista é o otimista com experiência. A vida fica mais crua, menos glamurosa, pelo menos para quem nela se aprofunda.
O corpo despenca, a saúde vira prioridade: prevenções, exames, boa alimentação, exercício físico... é uma luta pela sobrevivência com qualidade. Exige tanto como um romance nos trinta.

A morte se aproxima dia a dia e não há como não pensar nela, conviver com ela, preparar-se para ela.

Para os jovens isso parece meio mórbido. Claro, eles se sentem imortais, como eu já me senti um dia. Acham que é coisa que se tem que tirar da cabeça. Não concordo. É o que dá sabor à existência. Saber que é fugaz, que muitos dos sonhos não se realizam, que precisamos aprender a ser felizes "apesar de".... tantas decepções, o tempo correndo, a memória piorando, a vida internética que não para nunca de apresentar novidades e a gente correndo atrás, como loucas...

As festas são repetições cansativas do mesmo. A não ser encontros com os bons e poucos amigos de verdade, que a essas alturas, já provaram quem são e ficaram bem raros.
O sexo saiu da linha de primeiro lugar em termos de prazer. Para aqueles que o viveram plenamente, porque senão é uma busca desesperada para alcançá-lo, nem que seja no último minuto do segundo tempo.

Um bom jardim, canteiros de verduras, flores, uma boa comida e um vinho ficam o mais estimulante que há. Por isso, nem me falem de dietas. Era só o que faltava!

Sentir-se tranquila com as escolhas que fizemos é o que dá paz. Perdoar-se pelos erros, sabedoria. Não dá para voltar lá com a cabeça de agora.

Um bom livro, um som que agrade o coração, como o que estou ouvindo agora na Swiss Jazz Radio e não sentir nenhuma dor no corpo já é lucro total. Olhar pela janela e ver o mar, luxo. Ter a família toda viva, a grande benção. A possibilidade de meditar e transcender, a glória da vida.



O resto é a vida correndo, o sol brilhando, a lua nascendo e eu me lambendo para curar as feridas, como fazem os animais.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Insight sobre o ego

Tenho observado, tanto na minha vida como na dos que tenho acesso para conhecer mais profundamente, que quando o ego começa a inflar, isso é, sentir-se muito bem, a última bolacha do pacote, o rei da cocada preta etc (todo mundo sabe a que me refiro) logo, logo, cai do cavalo.

Os motivos da queda podem parecer aleatórios, não precisa haver elo de conexão entre uma coisa e outra. Só que o balão inflado do ego é detonado e, thanks God, a vida volta a fluir normalmente, pé no chão e na real.

Tudo muito lógico. O irreal não tem consistência, numa certa hora falta fôlego. Como um corredor amador de final de semana não dá conta de uma maratona.

O Ser tem que ser construído passo a passo. Devagar, caindo e levantando, que é o que dá a musculatura necessária para a construção. Inflação rápida, por motivo conhecido, normalmente é suspeito. Na gíria se fala "viajar na maionese".

Claro que o ego de burro não tem nada. Ao contrário, é super inteligente e estrategista. Vai fazendo marketing de si mesmo até que ele mesmo acredite que o que pensa é real. "Assim sou eu."
Pronto! Prepara os cobertores se quiser se proteger um pouco, mas vem TAKAM (golpe divino para derrubar). Ou já começa a rir, melhor jeito de ver algo em si de maneira "cool".

De verdade, é muito doloroso. Muito mesmo! É como ficar sem chão, se perder, não saber mais quem é, para onde vai. A vida perde o sentido e morrer já parece até uma benção.

Remédio super eficaz, talvez o único que realmente funcione: Humildade!


Volta! Volta para a realidade de que somos apenas um grão de areia. Alívio imediato.

Não preciso ser perfeito para ser amado

Percebo que pessoas muito rígidas, que exigem muito de si e, por isso, se acham no direito de exigir de outros, acreditam que se vêem algum defeito em alguém, isso significa que essa pessoa não tem valor algum.

Não, gente... Somos todos muito humanos; mesmo o mais adiantado dos homens ainda lida com suas imperfeições. Isso é que o mantém humano, inclusive.

Eu tenho uma característica no mínimo interessante. Às vezes gosto de alguém justamente por seus defeitos. Talvez porque ame a humanidade, aquilo que nos faz vulneráveis, as escorregadas, os tropeços nos tapetes das etiquetas, como falava Fernando Pessoa. Estou, como ele, farta de semi-deuses.Todos lindos, felizes, perfumados e perfeitos.

Claro está, até pelo fato de ser psicoterapeuta, que acho essencial percebermos o que nos faz mal ou a outros, para mudarmos de estado, livrarmo-nos de condicionamentos, libertarmos nosso ser de tantas amarras e tranqueiras impostas pela neurose. Conhecer-se é essencial!

Só que isso não nos coloca no patamar de deuses do olimpo. Como libera a mente e bagunça o ego escorregarmos numa casca de banana e sermos capazes de rir de nós mesmos. Não somos tão importantes assim, a ponto de não podermos errar.

Além disso, podemos ser dignos de amar e sermos amados mesmo com todos os nossos defeitos. Somos uma obra aberta, cheia de infinitas possibilidades. Não fosse isso amarmo-nos aqui nesse mundo seria impossível.


OK.Tenho defeitos. Os que me fazem sofrer são corrigidos mais rapidamente. Alguns incomodam mais a outros que a mim próprio. Talvez porque isso faça com que o outro se veja nisso e lhe é doloroso. Então me critica, diminui e até se acha mais digno que eu. Será? Pode ser. Só que para mim importa mais ser generoso, compassivo e amoroso.

Como diz Ibn'Arabi: "Eu sigo a religião do amor. Qualquer direção que tomarem os camelos do amor, lá está minha religião e minha fé. "

Luz e sombra

Dentro de certa nomenclatura, existem duas maneira de se estar no mundo. Concomitantes, inclusive.
Os estados internos (hall) e as estações (maqan). Os estados são mais pontuais, acontecem centenas por dia. Fico alegre, triste, melancólico, ressentido e por aí vai... eles passam, assim como as nuvens no céu.

A gente pode ficar observando-os, desidentificadamente, e conhecer muito de nós mesmos através dessa atitude. Perceber como as coisas me afetam, quais associações mentais me levaram a esses estados, que emoções eles desencadearam. Vamos assim tomando posse de nós mesmos, ao invés de sermos joguetes do destino.

As estações são estados mais permanentes, como uma estação da natureza: inverno, verão  por exemplo. Lugar onde ficamos por um período, que pode ser mais longo ou curto, mas sempre com alguma duração.

Pode-se então como estação estar muito turbado, confuso e ter estados de grande alegria e certeza temporários. Ou estar num estado bem mau, muito triste ou raivoso e na estação da compaixão e da compreensão.

Em poucas palavras, os estados são temporários, as estações mais duráveis.

Por que estou falando nisso? O que interessa para ti, leitor?
Eu não gosto muito de papo cabeça apenas para falar coisas bonitas, conceitos eruditos sem nenhum interesse prático, que possa nos fazer uma pessoa melhor e mais instrumentalizada para o viver.

Isso importa para que possamos entender essas nuances, às vezes estranhas, "de doces pausas em meio a angústia", como dizia, acho, Cecília Meireles. Ou momentos de dor em meio a um grande evento de felicidade.

Somos mesmo uma metamorfose ambulante. Seres da natureza, que se comportam como o clima, por exemplo... Longos períodos de sol, com chuvas rápidas de entremeio. Chuvarada infindável e, de repente, um raio de sol estonteante nos bate bem no olho.


Por isso, meus queridos, deixem tudo apenas passar. Mas olhem. Saibam onde estão, qual a estação por trás das volubilidades.

sábado, 5 de maio de 2012

Quieta satisfação

Vista de casa

Sabe o que é, em um carro, o ponto morto? Pois assim estou eu de estado interno. Neutra. Não tem condições de andar prá frente, nem prá trás. Parada no vazio. Nem bem, nem mal. Oca!

Preenchida por dentro mas com pouco interesse externo, a não ser a natureza: céu, mar, areia, vento... Vontade grande de sair por aí só fotografando, vendo e gravando. Além de saúde, este é meu único desejo: conhecer o mundo e fotografar. Disso não me canso, aí está a minha tesão.

Não me interessa mais saber o que os outros disseram ou escreveram, por mais que os admire, respeite e com eles tenha aprendido muito. Nem pensar penso. Só vivo, feliz por não ter dor, desconforto. Valorizando a beleza de lugar onde vivo, minha casa com sua linda história e meu passado tão bem aproveitado.
Presente!

Estranhando um pouco esse vazio, eu que sempre fui cheia das ideias. Será que é a velhice? Ou o que vim buscando toda vida e agora desconheço? Quieta satisfação...poderia ser...
Também poderia ser a estranheza de um animal antes de uma grande tempestade. Aquele momento onde tudo para, silencia. Ventos solares, 2012?

Estou sendo só canal para o que passa por mim. Denuncio, silencio, alimento, abandono. Sem pensar. Pura ação instintiva. Útil para alguns, inútil para muitos. Assim estou eu, neste momento da minha vida.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O terror de ser feliz!

Por uma série de circunstâncias ficou muito claro para mim o enorme medo que as pessoas têm de ser elas mesmas.
O pensamento é o seguinte: "se alguém souber como eu sou de verdade, jamais vai gostar de mim." Isso parte do sentimento de auto-rejeição. Eu, que mais ou menos sei como eu sou, não gosto, como poderia então outro gostar?
Digo que conhece mais ou menos porque se verdadeiramente se conhecesse saberia que o mais essencial em si, a verdade última é a manifestação da Vida, do Tao, Deus, não importa o nome que se dê.

Cada ser está aqui nesse planeta para manifestar sua individualidade, única, faceta que, ou é revelada por ela ou jamais o será por outro.
Rejeitada? Será sempre. Por uns ou por outros. Já o é por si mesma. Ninguém agrada a todo mundo. E por que precisaria? É horrível ter um nome a zelar, uma máscara a manter, sem poder ver em si o que há no mundo inteiro: as polaridades. Certo e errado, bom e mal, bonito e feio, dia e noite. Eu, sou tudo isso junto.


Outro terror da humanidade é ser livre. Quanto pavor de sair do seu quadradinho, do esperado, e agir adequadamente, mesmo que isso, em certos casos seja tomar um porre, dizer uma verdade engasgada há muito tempo, dar uma gargalhada, ouvir o próprio coração e ser sincera com seu sentimento. Que tal despedir-se das rédeas dos outros, do monitoramento psíquico e assumir que quem entrega sua vida sou eu mesma. E assim como faço, posso desfazer.

Posso assumir a confiança de entregar-se à vida e apenas ser, sem crítica, nem julgamento, apenas percebendo que expande ou contrai, relaxa ou tensiona. Contraiu, tensionou? Não é o caminho. Elimina o certo e errado. Fica com as tuas sensações corporais. Elas não mentem nem enganam.

Be wild and crazy and drunk with Love,
if you are too careful, Love will not find you.
Rumi ♥

 

sexta-feira, 30 de março de 2012

Viva a futilidade! (Look of the week)

Seres completos vivem de tudo, gostam do mundo, são ecléticos. Estou dizendo isso para justificar a enorme gama de atrações, aparentemente incongruentes, que me compõem.
Assim como o amo o misticismo, a filosofia e a meditação, também amo moda, comida, vinho e outras "cositas más", que fazem parte desse "crazy world", que eu adoro!

Assim que resolvemos também mostrar looks interessantes, que usamos no dia a dia, já que dá para ver que a gente "se acha". Se acha o máximo de gente boa, de bom gosto, de interessante; se acha também nada, quando vemos uma noite estrelada e percebemos nosso tamanho, quando sofremos a dor de nossas mazelas, nossas tristezas e nos damos conta que nada sabemos...

É muito fácil para mim passar do mais alto nível de conversa sobre espiritualidade, por exemplo, diretamente para a moda. Estas duas facetas do mundo andam lado a lado para mim, simplesmente porque são coisas que me interessam. Sem uma a vida não faz sentido e a outra me entretém no varejinho de todo dia...

Hoje Alana foi dar umas bandas em Balneário e inauguramos esta seção com ela.
Calça dourada Zara, blusa Renner preta, sapatinho baixo Arezzo com ponta de metal, pulseira da Allez Boutique, bolsa marroquina de Marrakech e óculos Dior. Hi-low, como tem que ser nesses tempos.


Ficou gracinha. Olha aí...

sexta-feira, 23 de março de 2012

Os semeadores do futuro

Li o blog da Mari e me atiçou essa ideia, que já existe há muito, de que cada um de nós tem uma percepção própria do mundo e é responsável por ela.
Como se cada um fosse uma janela da inteireza e abrisse uma revelação individual.

Daí isso se apresenta como algo que, ou vai ser dito ou demonstrado, ou se calará para sempre. Janela fechada, visão anulada.
Dom desperdiçado.

Os jovens têm isso um pouco mais aflorado, mas muita insegurança para demonstrá-lo. Os maduros estão tão preocupados com sua própria vida, que já perderam o interesse em mudança. Restam os loucos, os que não desanimam, os que acreditam tanto, que já vêem a coisa realizada. E abrem a boca, denunciam, iniciam movimentos, desobedecem as ordens pré- estabelecidas.

São xingados, denegridos, mas não se importam. Têm algo no coração que supre qualquer carência e não esperam aprovação externa, porque sabem o que precisam fazer.

São estes que movem o mundo. Que se responsabilizam por sua visão e lutam, criam, revelam o que está no coração de todos. Quase nunca se dão bem. Mas nem é isso que esperam. São os semeadores do futuro e os acordados do presente.

God save these people!

quinta-feira, 15 de março de 2012

The magic Maroc

Só agora estou conseguindo elaborar e falar. Foi um sonho de viagem. Marrocos, mais uma vez. Dessa com um casal de amigos. Aqueles amigo que são do peito, íntimos, família, nesse nível.
Tudo muito real, aberto, tranquilo e divertido. Mais que tudo, divertido. Como rimos nesse país!

Andamos de carro alugado pelo país inteiro. De Tânger ao Saara. Mar, montanhas, neve, sol, piscina, secura e deserto. Todas as experiências em 21 dias. E beleza, beleza e mais beleza. Que lindo lugar é essa porta da África!

Reencontramos nosso guia, que ficou nosso brother, Bashir que nos protegia, guiava e nos divertia. Sabe aquela sensação de "tá comigo, tá com deus"? Nos acompanhou em alguns lugares, em outros curtimos sòzinhos. Marrakesh, por exemplo, tá dominado! Lá circulamos como em casa. Êta lugarzinho delicioso de se viver, altamente curtível!

Tânger, de frente para o Atlântico, beleza pura. O mar, a vista do nosso Riad, a medina antiga e linda. É realmente o lugar para se chegar ao Marrocos. Recebe a todos de braços abertos, como uma mulher linda e sedutora. Passamos uma noite inesquecível, tomando champagne e comendo tâmaras e amêndoas, debaixo de uma noite estrelada, ouvindo uma rádio suíça que é o máximo. Era o som do Riad...nem podíamos acreditar... deslumbramento por cima de deslumbramento. Ainda por cima com aquela trilha sonora? Puro êxtase!

Fes depois. Cidade linda, pouco desbravada por nós até agora. Estamos só na beiradinha esperando que ela se abra para esses brasileiros sedentos de Oriente. Num pôr-do-sol, com a cidade a nossos pés, tomando um chá de menta, nem falávamos, tal o estado de paz e deslumbramento.

Atravessar o Atlas de carro é de tirar o fôlego. A vista, as cores das montanhas, a neve nos picos, chegando muito perto da estrada e as pedras deslumbrantes que se abrem com preciosidades internas. Silêncio para apreciar a paisagem...

Em Agadir ficamos num hotel fabuloso e nem saímos dele, só para descansar. Pôr-do-sol na frente da janela do quarto, daqueles africanos, vermelho profundo como não vemos por aqui.

Essaouira, lugar de gente doida, surfistas, hippies velhos e novos, lá não são raça em extinção. Pelo contrário, são o povo do lugar. Convivendo com as mulheres de burca. A medina é das mais sofisticadas; pequena, em relação as outras, mas que dá para se perder bonito. Adorável lugar...

Essa é uma parte. De Marrakech e do Saara falo em outro blog.







Minha chefe aqui no blog não gosta que eu me prolongue...

Um dia em Casablanca

Louca a sensação de entrar em estado alterado de consciência ao conhecer uma pessoa que te modifica a vida.

De repente, se está no paraíso, ou num parque de diversões, na melhor festa dos últimos tempos...e nem festa era. Apenas um encontro com desconhecidos, num lugar já visto na fantasia.

Bom, muito bom. Sem tempo, ninguém viu a hora passar. Quente para o coração. Encontro com gente de outras vidas? Amigos dessa vida que ainda não haviam se encontrado? Almas irmãs? Mil pensamentos a respeito, mas o fato é que durante o encontro não havia nada na cabeça. Só a vida fluindo, o riso fácil, sentir-se em casa num lugar desconhecido... e tudo em Inglês, ainda por cima...

Muito louco, inesquecível!

Mas, o que acontece em Casa (como chamam os locais Casablanca), fica em Casa.
Uma só situação se criou: como viver sem ter mais disso? Não desejar, como dizia Buda.

Tá, tá, tá bom! Se rolar rolou!

Sofrimento sem dor

Que estranhas sensações acontecem quando se vê alguém sofrendo, compreende-se a situação e se fica feliz com o fato.

Não julguem precipitadamente. Não sou sádica. Sou apenas alguém que vê sentido no sofrimento e fica feliz pelo processo de aprendizagem que pode advir destas situações, quando são bem elaboradas.

Nada melhor que uma "noite escura da alma" para dar uma adiantada no processo evolutivo de uma pessoa.

Além disso, é escolha do Ser de cada um esse acelerador vibratório. Porque muda a percepção, o modo de vida, a frequência cerebral. Aprofunda o auto-conhecimento, estimula a compaixão e abre a visão para mundos nunca antes percebidos.

Aí entra-se no paradoxo: o que é desagradável é necessariamente mal? O que é gostoso é bom?
Fica a pergunta. Olha para a tua vida, tuas experiências e observa, quais te trouxeram maior benefício?



Só o lúcido pode sofrer sem dor.

A foto da Catedral de Barcelona, de Gaudi, represente essa reflexão. Uma enorme boca cheia de dentes contendo uma cena tão beatífica...

Entrando nos eixos

Estava com amigos ouvindo um DVD do Joseph Campbell, O Poder do Mito.
Que clareza, que fluidez, como faz a vida ter sentido e tudo estar na mais perfeita ordem!

Eu adoro essa sensação de não ter que lutar contra nada, de não julgar nada, de aceitar TUDO como justo e bom. Claro que não sou nenhuma tola, até porque já sofri muito e conheço o inferno, para pensar que tudo é agradável. Não! Pode ser doído, triste, angustiante, desesperador...
Só que é só uma visão do todo. Ampliando se vê que faz parte da alegria, a tristeza, do prazer, a dor, do medo a coragem.
Facetas. As Faces de Deus, como o livro do Campbell.

E nós somos tudo isso, convivemos com essa polaridade, lidamos com os estados internos. Heróis de Mil Faces, outro livro dele. Somos todos heróis, vivendo num mundo sem manual de instruções, aprendendo na própria carne.

Cada vez que me percebo dando uma gargalhada, daquelas boas mesmo, me sinto uma heroína! Sobrevivi a tudo, desde o momento do nascimento, um trailler do que viria depois. E relaxo, é assim que que as coisas são. Somos a manifestação do transcendente, que mais podemos fazer a não ser nos entregarmos nas mãos da vida e deixar rolar?



Bem ou mal, certo ou errado, feio ou bonito? São tudo o mesmo!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Mulheres.... texto de Leila Ferreira

Se eu tivesse que escolher uma palavra – apenas uma – para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje, esta palavra seria um verbo de quatro sílabas: DESCOMPLICAR.

Depois de infinitas conquistas, acho que está passando da hora de aprendermos a viver com mais leveza: exigir menos dos outros e de nós próprias, cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa, olhar menos para o espelho. Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão falada qualidade de vida que queremos – e merecemos – ter.

Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial da mulher moderna. AMIZADE. Acostumadas a concentrar nossos sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas, acabamos deixando as amigas em segundo plano. E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para uma mulher quanto a convivência com as amigas.

PAUSA e SILÊNCIO, (nem que para isto vc tenha que desligar o celular)
Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos, três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia – não importa – e a ficar em silêncio. Essas pausas silenciosas nos permitem refletir, contar até 100 antes de uma decisão importante, entender melhor os próprios sentimentos, reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso.

Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo RIR. Não há creme antiidade nem botox que salve a expressão de uma mulher mal-humorada.
O riso nos salva de nós mesma, cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.


GENTILEZA - Ter classe não é usar roupas de grife: é ser delicada.
Saber se COMPORTAR é infinitamente mais importante do que saber se vestir.
Resgate aquele velho exercício que anda esquecido: aprenda a se colocar no lugar do outro e trate-o como você gostaria de ser tratada, seja no trânsito, na fila do banco, na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado, na academia.

E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser indissociáveis da vida: SONHAR e RECOMEÇAR.

Sonhe até que aconteça.
E recomece, sempre que for preciso: seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares. A vida nos dá um espaço de manobra: use-o para reinventar a si mesma.

E, por último (agora, sim, encerrando), risque do seu Aurélio a palavra PERFEIÇÃO.





O dicionário das mulheres interessantes inclui FRAGILIDADES, INSEGURANÇAS, LIMITES.
Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita, a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo, a esposa nota mil.

Mulheres reais são mulheres imperfeitas. 
E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres.

Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem (e a busca da perfeição pesa toneladas), a tão sonhada felicidade fica muito mais possível.
Feliz mudança!

Ps: essa marroquina da foto, que nos cumprimentou tão sorridente, pinta na praça com os pés, pois não tem mãos.