Ando há muito tempo tentando identificar o que é ser careta, o que, na minha opinião, é uma das pragas do mundo. Óbviamente nada a ver com usar ou não drogas. Atualmente os drogados são super caretões.
Trata-se de algo bem mais sério porque distorce a visão do mundo. Mata, corrompe, destrói sentimentos puros, é grosseiro e burro.
Uma das características que detectei é o preconceito, contra tudo e todos que não são como eu mesmo. Ou que são como eu desejo, mas tenho medo de ser. Racista, que normalmente tem tesão por quem aparentemente despreza, sentimento de superioridade em relação a quem não valoriza coisas importantíssimas em nossa sociedade, como: ano e modelo de carro, marca de roupa, bolsa, magreza (ah, esta é fundamental!), beleza, juventude eterna, opção sexual (essencial para alguém ter ou não valor) e por aí vai. Infinitas variantes.
Indo mais fundo comecei a perceber que tudo vem do MEDO. Do desconhecido, do desejo, da onipotência em não aceitar a realidade e sua diversidade.
Careta é o medroso. De ser e assumir quem é. De ser diferente porque único (não há nenhuma impressão digital igual a outra nesse mundo). De revelar-se naquilo que todos vêem, só o próprio tenta tapar o sol com peneira... De não ser sincero, transparente, ter vergonha de si mesmo. Meu Deus, quanto sofrimento, que tristeza!
Caretice é sofrimento vão mas que provoca muita destruição e atraso no mundo. Pior ainda é que se reveste de moral, dono da verdade, protetor dos "bons costumes". É o cara que quer o mundo inteiro de uma só cor e pode até matar por ver outro tom. Desastroso, triste, horripilante mas com aparência de normalidade, como se não fosse tão grave.
"Ora, que gravidade há em odiar um gay? Não é contra a natureza?"
Que mané natureza!! Natural é a totalidade, com todas as suas nuances, diferenças, suas belezas brancas e negras, novas e velhas, gordas e magras, ricos de sentido, pobres de espírito, o oposto também. Nada a ver com dinheiro, sexo, aparência. Só medo!
Muito medo de ser amplo, abarcante, total e livre. Como Gaudi, que se revelou em sua obra totalmente doida para a época, ousando colocar colunas sem prumo, construções sem referências anteriores. Isso no século retrasado...
Shame on you, careta do século vinte e um!
Por trás das suas ideias do que é certo e errado existe um campo... Me encontre lá! - Rumi
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quarta-feira, 17 de agosto de 2011
terça-feira, 16 de agosto de 2011
O futuro é a transparência
Faz um tempo que estou querendo escrever este post. Ele também saiu de uma conversa pós-balada sobre redes sociais e o nível absurdo de exposição a que chegamos através delas. Coloque qualquer pessoa no Google e descubra: onde vive, quem conhece, hábitos, preferências, para onde viaja, onde trabalha, etc. Isso para nem mencionar outros detalhes do arco da velha. Eu, por exemplo, acabo de descobrir que existe uma multa no meu nome por uma festa que fiz em um apartamento em Barcelona há quase dez anos.
Um produto novo sai no mercado e você pensa: "Nossa, leram a minha mente!"
Leram sua mente nada, fofo... leram o seu perfil. O seu e de outras milhões de pessoas! E o ponto onde quero chegar com este post é: tá mais difícil fingir ser quem você não é. Tudo o que você já disse em entrevistas, sua paradinha na delegacia depois de uma festa, registros, cadastros, fofocas nas colunas sociais, tweets, fotos... tudo faz parte da sua ficha virtual e pode facilmente ser usado contra você no tribunal... ou na sua próxima entrevista de emprego. E não é que eu ache ruim. Quem não deve, não teme. Na verdade, acho que estamos nos encaminhando para uma realidade onde teremos que bancar tudo o que somos. E isso é bom. O problema é que a gente faz cagada às vezes... vamos ter que bancar isso também.
Uma empresa que eu curto muito, a Perestroika, tem o lema do "Vai lá e faz", que diz que temos que colocar na prática nossas ideias. Eu vou ousar ir mais fundo... com o lema "Vá lá e SEJA"... porque a gente é muito mais do que o que a gente faz... e o que a gente faz deveria refletir quem a gente É. Não adianta ter uma puta empresa que compra créditos de carbono e tem selos ecológicos quando o presidente joga lixo pela janela do seu carro. Também não é cool escrever um blog sobre a importância de continuar humilde depois do sucesso, quando na prática da vida o cara é um baita bossal e se acha a última bolacha do pacote. A gente tem que SER o que a gente diz para ter credibilidade inabalável, isso é o que dá poder verdadeiro a uma pessoa e/ou empresa. O vulgo 171 pode até enganar por um instante... mas seus dias estão cada vez mais contados. O futuro é a transparência!
Um produto novo sai no mercado e você pensa: "Nossa, leram a minha mente!"
Leram sua mente nada, fofo... leram o seu perfil. O seu e de outras milhões de pessoas! E o ponto onde quero chegar com este post é: tá mais difícil fingir ser quem você não é. Tudo o que você já disse em entrevistas, sua paradinha na delegacia depois de uma festa, registros, cadastros, fofocas nas colunas sociais, tweets, fotos... tudo faz parte da sua ficha virtual e pode facilmente ser usado contra você no tribunal... ou na sua próxima entrevista de emprego. E não é que eu ache ruim. Quem não deve, não teme. Na verdade, acho que estamos nos encaminhando para uma realidade onde teremos que bancar tudo o que somos. E isso é bom. O problema é que a gente faz cagada às vezes... vamos ter que bancar isso também.
Uma empresa que eu curto muito, a Perestroika, tem o lema do "Vai lá e faz", que diz que temos que colocar na prática nossas ideias. Eu vou ousar ir mais fundo... com o lema "Vá lá e SEJA"... porque a gente é muito mais do que o que a gente faz... e o que a gente faz deveria refletir quem a gente É. Não adianta ter uma puta empresa que compra créditos de carbono e tem selos ecológicos quando o presidente joga lixo pela janela do seu carro. Também não é cool escrever um blog sobre a importância de continuar humilde depois do sucesso, quando na prática da vida o cara é um baita bossal e se acha a última bolacha do pacote. A gente tem que SER o que a gente diz para ter credibilidade inabalável, isso é o que dá poder verdadeiro a uma pessoa e/ou empresa. O vulgo 171 pode até enganar por um instante... mas seus dias estão cada vez mais contados. O futuro é a transparência!
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Suruba virtual
Cena 1: Uma sala de frente pro mar, 3 computadores ligados e 3 membros da família conversando... pelo facebook! Na vida real, a TV está ligada, o jantar está na mesa e ninguém consegue se desgrudar da tela... (#patético!)
Cena 2: Jantar entre amigas, todas jornalistas, i-phones na mão. Uma faz o check-in no restaurante, todas comentam o fato no ato. A conversa não desenrola porque todo mundo tem que "alimentar" suas redes sociais. (#sinistro!)
Minha mãe acaba de me dizer que esse negócio de abrir 8 janelas na internet ao mesmo tempo é uma suruba virtual. Enquanto isso, ela assiste aqueles spams de powerpoint com a musiquinha no fundo... um por um, até acabar a lista de 256 e-mails recebidos. Eu me pergunto:
- Como ela consegue?
Já na visão dela, eu tenho sérios problemas. Meu futuro é a esquizofrenia. Ela também me diz que quase não faz diferença eu estar em casa ou não. Quando estou, fico neste tilintar eufórico das teclas do laptop, vidrada feito borboleta na luz, fazendo mil coisas ao mesmo tempo, por horas a fio. Eu respondo que no mundo de hoje isso não é um problema, e sim uma grande virtude... se chama multitask. Os empregadores adoram. (Aposto que na sede do Facebook e do Google trabalham um monte de esquizofrenicos!)
Então paro para pensar no que acabei de dizer...
Gente, onde vamos parar? Tá todo mundo viciado nesse troço, não importa mais a geração. A partir da minha, só tende a piorar. Google +, facebook, twitter, msn... e tudo mais o que houver para ser inventado. Tenho medo do nosso futuro. Redes SOCIAIS? Desde que eu entrei na rede... me sinto cada vez MENOS social de fato. A palavra falada está sendo substituída pelo tic tac. SOCORRO!
(E dá licença que eu ainda tenho que mandar um texto pro outro site que eu escrevo, checar meu facebook, promover o blog no twitter, responder às janelas piscando do msn e responder trocentos e-mails). PQP!
PS: Este texto só vai ter centenas de acesso pelo simples fato de ter suruba no nome... É que sexo VENDE! Também pudera... ninguém tem mais tempo pra isso...
segunda-feira, 18 de julho de 2011
GOING WITH THE FLOW - Caindo no fluxo!
Sabe quando você tem a sensação de estar no fluxo correto das coisas? Sua vida vira um mar de "coincidências". Você liga para uma pessoa e pede o endereço da festa. Quando vê, está parada na frente. Fala com outra pessoa e pergunta "aonde você está indo?" e a pessoa diz o lugar onde você já está. Você olha para a lua e tem aquele momento epifânico, em que se sente grato pela vida, quando chega em uma praça às 5h da manhã e o violeiro está cantando Mercedes Sosa (Gracias a la vida!). Cruza com amigos e conhecidos inesperadamente, conhece as pessoas certas para suas necessidades do momento. É uma sensação muito boa. E prova que a vida - quando ela está no seu eixo e você está no seu centro - não precisa ser difícil. Muito pelo contrário. Me parece que quando o caminho está certo, tudo vai ficando mais fácil, as coisas vêm até você, as pessoas ligam, convidam para coisas inesperadas, oportunidades de trabalho surgem, as circunstâncias ideais aparecem. Por estes motivos, venho constatando cada vez mais que o grande trabalho de nossas vidas é interno. Organize o seu interno e fora tudo flui. Se não está fluindo, é porque tem boi na linha. E boi na linha, minha gente, tem que virar steak no prato. Para isso: terapia, olhar para dentro, autoconhecimento, experiência de vida. Depois sirva-se e delicie-se! (e comece tudo novamente no seu próximo obstáculo!)
"Abre teu peito como se fosse um alvo, pois a flecha do teu
destino já está no arco". - Omar Khayyam
quinta-feira, 14 de julho de 2011
CASA DE LOLA - HOUSE OF COOL
Oi, gente! Preciso falar do novo site para o qual sou colaboradora: o Casa de Lola - House of Cool. É um portal que fala sobre tudo o que é legal no mundo, mas com um enfoque especial... o de gente que também é super cool (me achei agora!) O foco é arte, cultura, música, moda, estilo, lugares especiais... enfim, tudo o que você olha, vive ou experiencia e pensa: nooooosssa, que demaaaaiiisss! Também é um lugar onde se pode falar de experiências pessoais, em uma linguagem totalmente informal e bacana. O site ainda está engatinhando, mas estamos fazendo um pré-lançamento para encontrar possíveis erros e corrigí-los. Se você tiver dicas, sugestões ou quiser nos mostrar algum trabalho seu... fique a vontade! Se você tambem é cool, então Casa de Lola é a sua casa!
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Segundos Eternos
Já largo dizendo que nunca obtive nenhum estado alterado proveniente da meditação. Meditar, para mim, sempre foi uma simples prática de relaxamento, observação, atenção para comigo mesma. E, neste dia, não esperava nada além disso, mas um presente divino me foi graciosamente aberto, um portal de esperança para este meu mundo que já não sustenta manter as aparências e cuja dor sinto, por mais que tente manter-me na periferia, simplesmente por dele fazer parte. É possível estar bem quando nossos irmãos e irmãs estão sofrendo? Não creio. Mas acredito ser capaz de manter um contato mais sólido e durável com diferentes planos que possam prover a energia necessária para elevar a todos nós. Fazer por mim, então, se torna fazer pelo todo. E, neste dia, obtive um acesso. Segundos, talvez... mas que representaram uma vida inteira de busca.
Inspiro profundamente. Expiro. Repito. Atenção e consciência do meu corpo. Atenção e consciência da respiração. Tensão zero. Pensamento zero. (Peraí... pensamento zero? Estou conseguindo!!!) Me perco. Começo tudo novamente. Não penso, só sinto. Muitas respirações profundas até que o fluxo de ar forma um canal que me transporta para um lugar onde não existe peso, pensamento, tempo nem idade. Tudo é paz, tudo é energia vibrante. Tomo a forma de um fio de linha branca que luta para criar contraste com o fundo de azul profundo. Danço com o universo, tomando várias formas, mas mantendo a consciência do TODO. Brinco com isso até que percebo (sem pensar!) que não sou somente a linha. Sou a linha e tudo o que há, consigo sentir pelo resto. Sou o resto. A linha se torna um limite... e, portanto, se desfaz, transformando-me em pó de estrelas que se estilhaçam neste infinito de plenitude. Sinto uma urgência pelo riso, um gargalhar de felicidade intensa sem por quê, mas nem disso preciso, porque também tenho a sensação de que sou o riso. Sou o riso. Neste momento, me chama um apego pela ação humana do sorrir, quero fazê-lo. Volta o pensamento. Uma tentativa de racionalizar, compreender, analisar o que está acontecendo... e aí me perco novamente por completo. O que aconteceu? Abro os olhos sorrindo. Segundos no nosso plano... uma eternidade em outro!
Inspiro profundamente. Expiro. Repito. Atenção e consciência do meu corpo. Atenção e consciência da respiração. Tensão zero. Pensamento zero. (Peraí... pensamento zero? Estou conseguindo!!!) Me perco. Começo tudo novamente. Não penso, só sinto. Muitas respirações profundas até que o fluxo de ar forma um canal que me transporta para um lugar onde não existe peso, pensamento, tempo nem idade. Tudo é paz, tudo é energia vibrante. Tomo a forma de um fio de linha branca que luta para criar contraste com o fundo de azul profundo. Danço com o universo, tomando várias formas, mas mantendo a consciência do TODO. Brinco com isso até que percebo (sem pensar!) que não sou somente a linha. Sou a linha e tudo o que há, consigo sentir pelo resto. Sou o resto. A linha se torna um limite... e, portanto, se desfaz, transformando-me em pó de estrelas que se estilhaçam neste infinito de plenitude. Sinto uma urgência pelo riso, um gargalhar de felicidade intensa sem por quê, mas nem disso preciso, porque também tenho a sensação de que sou o riso. Sou o riso. Neste momento, me chama um apego pela ação humana do sorrir, quero fazê-lo. Volta o pensamento. Uma tentativa de racionalizar, compreender, analisar o que está acontecendo... e aí me perco novamente por completo. O que aconteceu? Abro os olhos sorrindo. Segundos no nosso plano... uma eternidade em outro!
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Entre mundos...
Tenho a sensação de que me encontro entre mundos. Isso pode ser analisado de diversas formas, mas basicamente identifico em mim o mundo do ego e o mundo do ser. O mundo do ego é aquele onde eu vivi sem me dar conta durante a maior parte da minha vida, onde era preciso gastar uma energia tremenda para ser benquista pelos outros. Me tornei, portanto, uma pessoa extremamente extrovertida, alegre, motivada, "pra cima", "pra frentex". Pelo lado negativo, um tanto arrogante, julgadora, crítica e egoísta.
Já no mundo do ser a sensibilidade, a sutileza, a paz e a compaixão tomam conta de mim... e o ego vira uma coisa tão demente, tão insignificante, tão patética.
Isso tem sido extremamente dolorido por um lado, principalmente porque um grande ego faz sucesso no mercado. E porque ainda estou de certa forma apegada àquela "antiga eu"... fiz tanto sucesso com ela, fui tão vangloriada, elogiada, admirada. Mas ela parece ter caído por terra de vez. Tanto que às vezes chego ao cúmulo de me sentir uma pessoa pior porque não consigo mais pipocar em uma festa contando vantagens, nem fingir alegria eufórica quando estou triste e muito menos parecer mais interessante do que sou de fato. Me tornei mais verdadeira, ou melhor, não consigo mais dissimular o que está por trás. Mas aquela ilusão era tão gostosinha. Perdê-la dói. Muito. Ao mesmo tempo, me sinto mais próxima de viver algo REAL.
De certa forma, a humanidade está na mesma... todos apegadinhos a este mundo do ego, porque nem imaginamos como poderia SER o outro mundo... Vamos largar as amarras, gente... Vamos mergulhar sem medo! Só pode ser para melhor! REAL, ao menos... REAL!
Já no mundo do ser a sensibilidade, a sutileza, a paz e a compaixão tomam conta de mim... e o ego vira uma coisa tão demente, tão insignificante, tão patética.
Isso tem sido extremamente dolorido por um lado, principalmente porque um grande ego faz sucesso no mercado. E porque ainda estou de certa forma apegada àquela "antiga eu"... fiz tanto sucesso com ela, fui tão vangloriada, elogiada, admirada. Mas ela parece ter caído por terra de vez. Tanto que às vezes chego ao cúmulo de me sentir uma pessoa pior porque não consigo mais pipocar em uma festa contando vantagens, nem fingir alegria eufórica quando estou triste e muito menos parecer mais interessante do que sou de fato. Me tornei mais verdadeira, ou melhor, não consigo mais dissimular o que está por trás. Mas aquela ilusão era tão gostosinha. Perdê-la dói. Muito. Ao mesmo tempo, me sinto mais próxima de viver algo REAL.
De certa forma, a humanidade está na mesma... todos apegadinhos a este mundo do ego, porque nem imaginamos como poderia SER o outro mundo... Vamos largar as amarras, gente... Vamos mergulhar sem medo! Só pode ser para melhor! REAL, ao menos... REAL!
Malhação de paciência
Descobri a principal virtude necessária para esse momento da minha vida: PACIÊNCIA.
Paciência é a ciência da PAZ. Ao menos agora! NÃO a negligência, e SIM a paciência! Ser paciente não é ser passivo. E pra isso, haja exercício! Contar até dez, respirar fundo, distanciar-se da situação, colocar-se no lugar do outro... cada um encontra uma técnica!
A paciênica nem sempre é uma reação orgânica, e, ao meu ver, é um desenvolvimento de respeito ao outro e confiança no universo. Em algumas situações, é até utópica!
Compreender que o ritmo do mundo, do outro, e da vida, que podem pulsar diferentemente do nosso próprio ritmo, é em exercício de paciência. E, como em qualquer exercício, a prática é necessária. Mas compensa! A paciência bem 'tonificada' aumenta o 'índice' de PAZ na nossas vidas.
Eu virei praticante assídua das malhações de paciência. Já sinto os resultados! A resistência à ansiedade e à irritação melhorou muito! Há dias em que é difícil praticar, então me entrego, a rugir como um leão. Mas a paciência vale a pena. Dá prazer, liberdade, amedronta o mau-humor. Com a prática, assim como para um ciclista que pelada todos os dias, o exercício fica fácil!
Espero que, como na palavra PACIÊNCIA, a PAZ venha sempre à frente da CIÊNCIA!
Paciência é a ciência da PAZ. Ao menos agora! NÃO a negligência, e SIM a paciência! Ser paciente não é ser passivo. E pra isso, haja exercício! Contar até dez, respirar fundo, distanciar-se da situação, colocar-se no lugar do outro... cada um encontra uma técnica!
A paciênica nem sempre é uma reação orgânica, e, ao meu ver, é um desenvolvimento de respeito ao outro e confiança no universo. Em algumas situações, é até utópica!
Compreender que o ritmo do mundo, do outro, e da vida, que podem pulsar diferentemente do nosso próprio ritmo, é em exercício de paciência. E, como em qualquer exercício, a prática é necessária. Mas compensa! A paciência bem 'tonificada' aumenta o 'índice' de PAZ na nossas vidas.
Eu virei praticante assídua das malhações de paciência. Já sinto os resultados! A resistência à ansiedade e à irritação melhorou muito! Há dias em que é difícil praticar, então me entrego, a rugir como um leão. Mas a paciência vale a pena. Dá prazer, liberdade, amedronta o mau-humor. Com a prática, assim como para um ciclista que pelada todos os dias, o exercício fica fácil!
Espero que, como na palavra PACIÊNCIA, a PAZ venha sempre à frente da CIÊNCIA!
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Looking for ninjas
O papo do jantar de ontem foi o seguinte:
(Eu perguntando para um amigo que recém terminou um relacionamento):
- Mas, afinal, o que tu queres em uma mulher?
- Olha, eu pensei muito sobre isso... Pensei em várias características, coisas que gostaria... mas no final cheguei a uma conclusão.
- E qual foi?
- Eu quero uma mulher que possa transformar um momento ordinário em um momento mágico.
- E o que seria um momento mágico?
- Ah, um momento mágico é aquele em que você para tudo, olha ao seu redor com deleite e se sente feliz por estar vivendo aquilo, feliz por estar vivo, satisfeito com a vida e com uma sensação clara de vale a pena viver.
- Mas isso não passa quando chega a primeira conta de luz?
- Eu acredito que com a mulher certa... não passa.
- Mas tá difícil encontrar gente assim, não tá?
- Tá... super difícil. Mas a busca é melhor do que o medo de não encontrar... E, para quem sabe viver, ficar sozinho pode ser bom demais!!
- Concordo.
Taí... eu também quero uma pessoa que transforme momentos ordinários em momentos mágicos. Todo mundo consegue transformar uma festa de arromba, uma viagem espetacular ou um jantar romântico em um momento especial... eu quero uma pessoa que faça o mesmo com uma fila de banco ou um engarrafamento homérico na BR101. Esta pessoa sim que é ninja!
quinta-feira, 2 de junho de 2011
For a reason, for a season, or forever....
Cada pessoa que passou pela minha vida, que ganhou meu olhar e minha atenção por algum instante, cumpriu uma tarefa. Tarefinhas mínimas, ou longas e complicadas missões. Assim também, eu, sou instrumento, cumpridora de tarefas na vida de todos que eu ganho o olhar e a atenção. Esse movimento de encontros e desencontros é o que gera conhecimentos, sentimentos, histórias.
As pessoas chegam às nossas vidas ' for a reason, for a season, or forever'.
Quando reflito sobre isso, observo e agradeço cada história, cada amizade, cada encontro, cada namoro, cada chefe, colega, professor. Entendo a importância do 'ser passageiro', do não me apegar para sempre em situações das 'estações passadas', curar as frustrações de relações que morreram, namoros que acabaram, entes que se foram. Eles cumpriram seu papel na minha vida, e eu nas suas vidas também. For a season, ou for some seasons...
As pessoas que ficam 'forever', ao meu ver são aquelas que plantam uma sementinha de cactus nos nossos corações. São relações que não precisam de muita atenção ou cuidado para sobreviverem. Como um cactos, que não precisa de água diariamente. São aqueles, que, parece que não conhecemos, mas sim, RE-CONHECEMOS, como se já estivessem ali desde sempre, confortáveis. Essas relações não dependem de conquista, pois já existiam antes do nosso reconhecimento.
Mas como num jardim, gosto e cuido das violetinhas, das rosas e dos cactos... das flores que sobreviverão por um dia, por uma primavera, ou para sempre. À cada uma, a atenção que precisa. E guardo na memória seu perfume e beleza, ou até seu odor e feiura. Todas elas são importantes para transformar-me num jardim florido.
As pessoas chegam às nossas vidas ' for a reason, for a season, or forever'.
Quando reflito sobre isso, observo e agradeço cada história, cada amizade, cada encontro, cada namoro, cada chefe, colega, professor. Entendo a importância do 'ser passageiro', do não me apegar para sempre em situações das 'estações passadas', curar as frustrações de relações que morreram, namoros que acabaram, entes que se foram. Eles cumpriram seu papel na minha vida, e eu nas suas vidas também. For a season, ou for some seasons...
As pessoas que ficam 'forever', ao meu ver são aquelas que plantam uma sementinha de cactus nos nossos corações. São relações que não precisam de muita atenção ou cuidado para sobreviverem. Como um cactos, que não precisa de água diariamente. São aqueles, que, parece que não conhecemos, mas sim, RE-CONHECEMOS, como se já estivessem ali desde sempre, confortáveis. Essas relações não dependem de conquista, pois já existiam antes do nosso reconhecimento.
Mas como num jardim, gosto e cuido das violetinhas, das rosas e dos cactos... das flores que sobreviverão por um dia, por uma primavera, ou para sempre. À cada uma, a atenção que precisa. E guardo na memória seu perfume e beleza, ou até seu odor e feiura. Todas elas são importantes para transformar-me num jardim florido.
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Vazio pleno
Não tenho escrito nestes últimos dias porque me encontro em pleno vazio... Contradição? Nada! Simplesmente sinto que não tenho nada a dizer, e me respeito. Quem sou eu para dizer alguma coisa? Ninguém. O que tenho eu para dizer, que não sejam puras conjecturas, inutilidades, suposições, viagens mentais, dúvidas, palavras ao vento? Nada. Tudo o que tenho são os meus filtros, as minhas experiências... Para você elas podem não querer dizer nada, podem não ser de nenhuma utilidade, podem inclusive confundí-lo e desviá-lo de seu próprio caminho...
Mas o engraçado (e diferente) é que este não é um vazio que me incomoda, que me deixa ansiosa, que me faz querer sair dele. Não é um vazio existencial, do tipo "meu Deus, o que vou fazer da minha vida?" Não é um vazio que me entristece, que me faz sentir menos, que me perturba. Simplesmente É... um vazio! Estilo "só sei que nada sei"... Um vazio de um silêncio sepulcral, um vazio de uma calma suavemente alegre, um vazio de paz profunda, um vazio de relaxamento.
Este é o momento presente. Pode ser que amanhã eu tenha novamente muitas coisas a dizer... Mas se é que posso dizer alguma coisa boa hoje é que não se deve ter medo deste vazio...
... Tudo que é vazio pode ser preenchido novamente... O vazio é uma oportunidade que pode ser preenchida mais utilmente.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Essa gente de filme é real??
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Cada vez mais eu...
Cada um de nós é uma única e exclusiva faceta de Deus. Por que insistimos em classificar, rotular, aglomerar estilos? É mais fácil fazer parte de um coletivo do que ser único? Talvez. Mas bom mesmo é encontrar aquilo que só você veio trazer... Negar isso é negar o que há de mais genuíno em você.
"Somente a verdade de quem tu és, se realizada, te libertará"
- Eckhart Tolle
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Passei a Páscoa comendo!
Nem só de pão vive o homem, diz a Bíblia. Concordo. Arrogância pouca é bobagem...eu concordar com a Bíblia!
Mas, vamos ao que interessa. Alimentar-se não é só de comida. Percepções são alimento de nível sutil e nos satisfazem mais que a melhor macarronada do mundo.
Passei meus dias de feriado num lugar maravilhoso, cheio de gente interessantíssima, de vários lugares do mundo, sem outro interesse que não fosse compartilhar histórias e experiências evolutivas.
Existem lugares assim? YES!!!
Sem idade, haviam crianças, jovens e velhos. Línguas diversas mas que, mágicamente, eram entendidas pelo coração.
Fiz duas amigas de infância, que nunca tinha visto na vida, na porta do banheiro. É normal isso? Não. É resultado de busca por comida mais farta e variada, mais sofisticação nas necessidades. Eu quero gente fina, elegante e sincera, como diz o Lulu Santos.
Gente disposta a se expôr, conversas que me enlevem o espírito, silêncios compartilhados e também muita risada. Amigos além da emoção, companheiros de busca numa caravana que nos leva para o mais profundo de nós mesmos.
Assim rica eu quero a vida, nada menos que isso.
Mas, vamos ao que interessa. Alimentar-se não é só de comida. Percepções são alimento de nível sutil e nos satisfazem mais que a melhor macarronada do mundo.
Passei meus dias de feriado num lugar maravilhoso, cheio de gente interessantíssima, de vários lugares do mundo, sem outro interesse que não fosse compartilhar histórias e experiências evolutivas.
Existem lugares assim? YES!!!
Sem idade, haviam crianças, jovens e velhos. Línguas diversas mas que, mágicamente, eram entendidas pelo coração.
Fiz duas amigas de infância, que nunca tinha visto na vida, na porta do banheiro. É normal isso? Não. É resultado de busca por comida mais farta e variada, mais sofisticação nas necessidades. Eu quero gente fina, elegante e sincera, como diz o Lulu Santos.
Gente disposta a se expôr, conversas que me enlevem o espírito, silêncios compartilhados e também muita risada. Amigos além da emoção, companheiros de busca numa caravana que nos leva para o mais profundo de nós mesmos.
Assim rica eu quero a vida, nada menos que isso.
A dúvida
Não sei se sou uma pessoa normal. Às vezes acho que tenho uma propensão para a dúvida maior do que o comum... Tenho certeza que há bastante gente que se identifica comigo, mas grande parte das pessoas parece tão certa do que quer, onde quer, com quem quer todas as coisas. Pode ser que seja só aparência... mas eu tenho uma inveja secreta destas pessoas, já que sou consumida diariamente pela dúvida. Tenho certeza de algumas coisas, mas duvido ainda mais das certezas. E vou diretamente da certeza que sim para a certeza que não... depois volto. Minha maior certeza é, sem dúvida, a dúvida. Pelo lado dos pensadores, isso me parece uma coisa boa, já que todas as grandes frases defendem aquele que duvida como sendo sábio:
"É menos mau inquietar-se na dúvida do que descansar no erro." - Alessandro Manzoni
"A dúvida é a escola da verdade". - Francis Bacon
Frases confortantes estas para os que duvidam, certo?
Agora vejam pelo lado da fé...
"Milagres so acontecem aos que estão crendo. Duvidas nunca produziram os resultados que você deseja. Pare de anunciar suas duvidas. Comece a declarar suas expectativas no milagre".
"Um único dia de dúvida... poder trazer 365 dias de sofrimentos. A experiência mais cara da terra é a dúvida".
Leio coisas como estas e me arrepio. Também concordo que a dúvida tráz sofrimento. Afinal, qual é a dúvida positiva e qual é a dúvida que consome? Do que devemos duvidar e no que devemos ter fé cegamente? Das frases que eu li, a que mais me pareceu visceral foi esta:
"Em estado de dúvida, suspende o juízo..." - Pitágoras
Mas... suspender o juízo pode ser, para mim, um grande condicionamento, porque é uma saída que uso regularmente. E agora? Que dúvida!!!
terça-feira, 19 de abril de 2011
Medo da verdade
Tenho ficado estarrecida com o enorme medo que as pessoas têm da verdade. Não consigo entender. Porque se é verdade é auto-evidente. Todo mundo sabe, todos vêem. Claro que nem todo mundo está interessado em vê-la e nem presta atenção. Mas, se quisesse, veria. Outros não querem mesmo vê-la. OK! Fecha os olhos e faz de conta que não existe. São escolhas que fazemos na vida.
Só não dá para pensar que a verdade pode ser ocultada. Se perguntares a uma criança, ela sabe (por isso as vezes são tão "inconvenientes"). Pergunta à tua empregada e ela sabe aquilo que estás guardando à sete chaves até de ti mesma.
Todo mundo sabe como somos, quais são nossas características positivas e negativas, porque todos nós temos ambas. Ninguém é só mau ou só bom. Isso só é assim em novela de TV.
Mas adoramos fazer de conta que as coisas não são como são e aí se cria aquela tensão para tentar ocultar o que se revela nos olhos, nos atos falhos, na expressão corporal, gestos etc... Inútil a tentativa. Só acrecenta-se o desejo de que ninguém saiba. O que demonstra o desconforto da pessoa com a sua realidade. Mais um ponto contra.
É tão relaxante deixar a verdade ser como é! Mostrar-se múltipla, cheia de nuances, real. Deliciosa sensação de ser. Como é! Sem dever ser, sem maquiagem, negação. Para quê? Não cola mesmo...
Só não dá para pensar que a verdade pode ser ocultada. Se perguntares a uma criança, ela sabe (por isso as vezes são tão "inconvenientes"). Pergunta à tua empregada e ela sabe aquilo que estás guardando à sete chaves até de ti mesma.
Todo mundo sabe como somos, quais são nossas características positivas e negativas, porque todos nós temos ambas. Ninguém é só mau ou só bom. Isso só é assim em novela de TV.
Mas adoramos fazer de conta que as coisas não são como são e aí se cria aquela tensão para tentar ocultar o que se revela nos olhos, nos atos falhos, na expressão corporal, gestos etc... Inútil a tentativa. Só acrecenta-se o desejo de que ninguém saiba. O que demonstra o desconforto da pessoa com a sua realidade. Mais um ponto contra.
É tão relaxante deixar a verdade ser como é! Mostrar-se múltipla, cheia de nuances, real. Deliciosa sensação de ser. Como é! Sem dever ser, sem maquiagem, negação. Para quê? Não cola mesmo...
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Ideias fixas
Uma história do Mullá Nasrudim, que exemplifica muito bem essa nossa característica:
- "Quantos anos você tem, Mullá?"
- "Quarenta."
- "Mas você disse o mesmo a última vez que lhe perguntei, há dois anos atrás!"
- "É, eu sempre sustento o que digo."
As minhas ideias estão mudando em tempo integral. Hoje, muitas coisas sobre as quais eu
falava com extrema convicção há anos atrás, não fazem mais nenhum sentido para mim...
Prefiro a flexibilidade, prefiro evoluir... e não "ter razão"...
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Vivendo... aprendendo...
Ai, me deixei no vácuo! Deixei meu dever e prazer de escrever no vácuo. Fiquei muda. Justo eu, que quase não gosto de falar, escrever, frenetizar.
Dei uns saltos quânticos no meu auto-conhecimento, fechei pra balança. Mas voltei! Botei o pézinho no chão frio e firme da vida. Voei dentro de mim e enxerguei onde estão as montanhas e os vales profundos... os agrestes e os oásis... minha geografia sentimental foi (precariamente) mapeada. Não que um mapa garanta o melhor caminho, mas ajuda a perder menos tempo nos caminhos errados! E descobri que a mochila que carrego por esses caminhos é mais leve e anatômica que eu fantasiava ser, e, se eu vasculhá-la bem, percebo que tenho todos os utensílios necessários pra trilhar essa jornada com sucesso e tranquilidade. Claro que vou subir ribanceiras e escorregar em lamaçais, mas sempre terei água fresca para beber e banhar-me. Como sei? Simplesmente sei. E quando duvido nisso, ou acho que o agreste não tem fim, pisco os olhos e encontro o oásis mais lindo. E depois das ribanceiras, encontro planícies floridas. Seria boba eu se perdesse a fé e a confiança na vida e no futuro. Afinal a vida sempre me foi fiel, eu é que não fui fiel comigo mesma inúmeras vezes. Normal, experimentações de aprendizado.
Esse negócio de ser animal racional a vezes conflita com a confiança total na vida que se poderia ter.
Após meu vácuo nutritivo, voltei confiante. Com meu mapa na mão. E sempre em busca dos tesouros, que só serão bons e úteis se couberem na minha mochila, sem pesar.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Ter ou não ter (filhos)... Eis a questão!
Aos 33 anos, esta é uma questão que me tormenta. Quem me conhece sabe que eu não sou aquele tipo de pessoa com um instinto maternal visceral. Não sonhei minha vida inteira com uma mesa repleta de filhos cantando "Oh happy day!" como nestas propagandas de cereal. Na verdade, tenho bastante dificuldade em me imaginar "mãe de alguém". Tem gente que diz que a gente escolhe os pais que tem... e quem seria doido o bastante para ser meu filho?
Eu gosto das crianças. Admiro sua leveza, sua pureza. Tenho cada vez mais tentado me comunicar com elas, mas não tenho aquela facilidade toda em criar uma conexão verdadeira. Talvez me falte "presença" (que é o que elas mais demandam!) ou ainda esteja muito atribulada com minha própria vida para poder me doar aos outros. O bom mesmo das crianças é aquela mãe ao lado, para você entregar quando "der problema". Será que eu quero ser essa "mãe ao lado"?
Já me falaram que eu sou é egoista, só penso em mim, e que para ter filhos a gente tem que se dar muito. Mas, gente, não é egoísmo botar um cara nesse mundo doido porque EU quero ter a experiência de como é ser mãe? Come on!! Já tem gente demais no mundo, tá cada vez mais fooooooooda viver aqui. Pô, quem sou eu para trazer mais um para "aprender" comigo ou me "ensinar"?? Eu acho que isso é andar na contramão da sustentabilidade.
Sei lá, eu tenho a impressão que nem dou conta da minha própria vida, sem ter ninguém com quem me preocupar. Imagina alguém DEPENDENDO de mim? Me dá um ruim só de pensar. E se eu quiser amanhã arrumar as minhas coisas e me mudar para o Laos? Não poderei mais pensar assim.
Por outro lado, um monte de pais dizem que ter filho é a melhor coisa do mundo... então fico achando que posso estar perdendo uma boa experiência. Não sou rígida pelo não, só não tenho aquela vontade latente. Também vejo o quanto os filhos são ingratos. Aquela trabalheira de uma vida inteira para eles chegarem na adolescência e dizerem: - "Cara, a minha mãe é um saaaaaaaco!" ou mesmo como adultos: "Agora tenho a minha família, vocês precisam respeitar a minha individualidade". Pô, uma mãe escutar isso deve ser uma facada!
Minha vida segue e minha dúvida cresce. Qualquer coisa adoto sem problema nenhum uma penca de crianças, daquelas que são muito felizes só por ter um prato de comida na frente...
Eu gosto das crianças. Admiro sua leveza, sua pureza. Tenho cada vez mais tentado me comunicar com elas, mas não tenho aquela facilidade toda em criar uma conexão verdadeira. Talvez me falte "presença" (que é o que elas mais demandam!) ou ainda esteja muito atribulada com minha própria vida para poder me doar aos outros. O bom mesmo das crianças é aquela mãe ao lado, para você entregar quando "der problema". Será que eu quero ser essa "mãe ao lado"?
Já me falaram que eu sou é egoista, só penso em mim, e que para ter filhos a gente tem que se dar muito. Mas, gente, não é egoísmo botar um cara nesse mundo doido porque EU quero ter a experiência de como é ser mãe? Come on!! Já tem gente demais no mundo, tá cada vez mais fooooooooda viver aqui. Pô, quem sou eu para trazer mais um para "aprender" comigo ou me "ensinar"?? Eu acho que isso é andar na contramão da sustentabilidade.
Sei lá, eu tenho a impressão que nem dou conta da minha própria vida, sem ter ninguém com quem me preocupar. Imagina alguém DEPENDENDO de mim? Me dá um ruim só de pensar. E se eu quiser amanhã arrumar as minhas coisas e me mudar para o Laos? Não poderei mais pensar assim.
Por outro lado, um monte de pais dizem que ter filho é a melhor coisa do mundo... então fico achando que posso estar perdendo uma boa experiência. Não sou rígida pelo não, só não tenho aquela vontade latente. Também vejo o quanto os filhos são ingratos. Aquela trabalheira de uma vida inteira para eles chegarem na adolescência e dizerem: - "Cara, a minha mãe é um saaaaaaaco!" ou mesmo como adultos: "Agora tenho a minha família, vocês precisam respeitar a minha individualidade". Pô, uma mãe escutar isso deve ser uma facada!
Minha vida segue e minha dúvida cresce. Qualquer coisa adoto sem problema nenhum uma penca de crianças, daquelas que são muito felizes só por ter um prato de comida na frente...
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Escrever é um descarrego!
Eu li na revista Lola de abril...
... e tive que postar!
E eu realmente me sinto assim, mas discordo que sejamos os únicos homens livres. Cada um tem sua forma de "descarrego"! Para mim, escrever é como passar um aspirador nas mágoas, nas angústias. Eu boto pra fora e rapidamente me vejo livre, não sinto mais. Tento não ficar remoendo nada dentro de mim. Assim, sigo uma vida mais saudável, raramente fico doente, me sinto mais leve... e cada vez que encontrar uma pecinha negra em um quebra-cabeça oculto que está me sabotando a vida... quero escrever sobre ela!
Meu quebra-cabeça está lentamente se encaixando... e ele é todinho COLORIDO!
... e tive que postar!
"...aproveitei para refletir sobre a vida do escritor. É uma vida cheia de contratempos. Mas existe uma compensação. Sempre que tiver alguma coisa no espírito, seja uma reflexão torturante, a dor pela morte de um amigo, o amor não correspondido, o orgulho ferido, o ressentimento pela falsidade de alguém que lhe devia ser grato, enfim, qualquer emoção ou ideia obcecante, basta-lhe reduzi-la a preto e branco, usando-a como assunto de uma história ou enfeite de um ensaio, para esquecê-la de todo.
Ele é o único homem livre."
(Somerset Maugham)
E eu realmente me sinto assim, mas discordo que sejamos os únicos homens livres. Cada um tem sua forma de "descarrego"! Para mim, escrever é como passar um aspirador nas mágoas, nas angústias. Eu boto pra fora e rapidamente me vejo livre, não sinto mais. Tento não ficar remoendo nada dentro de mim. Assim, sigo uma vida mais saudável, raramente fico doente, me sinto mais leve... e cada vez que encontrar uma pecinha negra em um quebra-cabeça oculto que está me sabotando a vida... quero escrever sobre ela!
Meu quebra-cabeça está lentamente se encaixando... e ele é todinho COLORIDO!
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